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Juventude e Violência

por Márcia Esteves de Calazans

Estamos as voltas com a falta de um herói, quiçá com a coragem do  ateniense, Teseu, para terminarmos com o alto tributo anual, qual  seja a entrega de nossos jovens, para alimentar o insaciável minotauro?

Estudos sobre a evolução sócio-demográfica da população de 15 a 24 anos de idade no Brasil, têm nos mostrado que, ainda  tendo em vista a importância social, política e cultural desse segmento no conjunto da sociedade,  a morte destes jovens por causas externas vem crescendo a cada ano. Ao longo das duas últimas décadas do século XX, a quantidade de mortes por causas externas, (acidente de trânsito, suicídio, homicídio, entre outras) cresceu rapidamente nesta faixa etária. Segundo o Datasus, na  última década do séc. XX, 112 mil jovens morreram assassinados.

Apesar da discussão atual sobre a necessidade de políticas públicas para juventudes, percebe-se a dificuldade de articulação de execução de programas especificos , com  uma rede de apoio para enfrentamento destas questões. Estamos numa construção intrincada com diversas salas e passagens projetadas para que uma pessoa que adentre dificilmente possa  descobrir a saída. Labirintos, evidentemente, não têm saída, a menos que encontremos o seu segredo, reconheçamos as suas encruzilhadas e tenhamos o fio que nos conduza por seus trajetos.

Lembramos que Teseu sabendo que a sua cidade deveria pagar a Creta  imensurável tributo - sete rapazes e sete moças, para serem entregues ao  Minotauro que se alimentava de carne humana, solicitou ser incluído entre eles. Encontrando-se com Ariadne,  filha do rei Minos, Teseu, recebeu dela um novelo que deveria desenrolar ao entrar no labirinto, onde o Minotauro vivia encerrado, para encontrar a saída. Teseu adentrou o labirinto, matou o Minotauro e, com a ajuda do fio que desenrolara, encontrou o caminho de volta.

Temos desvendados alguns  segredos, caminhos, mapeando  possibilidades e limitações, sobretudo alertando para a necessidade de implementação de políticas governamentais, comunitárias ou empresariais e uma maior organização da sociedade civil em uma rede potente ,que contribua para a inserção social destes jovens.

Necessitamos da coragem de Teseu, do fio de Ariadne, de uma melhor capacidade de escuta para com estes jovens. A combinação da violência com a ausência de perspectivas para as juventudes tem revelado  o efeito demográfico negativo de uma perda irreparável ao País. Enfim, enfrentemos o Minotauro!

 



[1] Psicóloga - Pesquisadora.  Doutoranda no Programa de Pós - Graduação em  Sociologia  da UFRGS.  GP - Violência e Cidadania – UFRGS.

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Psicoterapia para mulheres PORTO ALEGRE - Psicóloga Márcia Esteves de Calazans, especialista em policia militar feminina, mulher policial, trabalho, mediação de conflitos, gênero, identidades profissionais, segurança pública, violência jovens, adolescentes, deliquencia, migrações
 
Márcia Esteves de Calazans = Gênero e suas interações - Empoderamento, DDHH, Violência, Educação, Saúde e Trabalho.

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